Etnocentrismo e Relativismo cultural

O Exame Nacional do Ensino médio de 2019 está chegando, e os 5 milhões de participantes confirmados já se preparam para os dois dias de provas.

Dentre as disciplinas cobradas no Enem estão as Ciências Humanas, que abrangem: Sociologia, Filosofia, História, Antropologia, Ciência das Religiões, Arqueologia, Geografia e Letras

Todas elas geralmente têm o homem e seus pensamentos como focos de estudo. Confira agora um resumão de Sociologia para o Enem: o que é etnocentrismo e relativismo?

O que é etnocentrismo?

Este termo vem da Antropologia, e significa uma visão que alguém tem do seu grupo étnico, da cultura ou centro onde vive, colocando-os em um plano maior que outras culturas e sociedades.

A palavra etnocentrismo é formada pela justaposição do termo de origem grego ethnos, que significa nação, tribo ou pessoas que vivem juntas, e centrismo que indica o centro de algo.

Uma pessoa ou grupo de pessoas que acreditam no etnocentrismo, geralmente consideram a própria cultura acima das outras, o que pode representar um conflito para a sociedade, gerando preconceitos e ideias infundadas.

Consequências do etnocentrismo:

– Preconceito com outras culturas consideradas ´´menores´´ ou mais ´´frágeis´´;

– Propagação de ideias infundadas sobre as pessoas, culturas e costumes;

– Desrespeito, intolerância, depreciação, e desconhecimento dos reais costumes de determinada tribo, cultura ou nação;

O que é relativismo?

É conhecido com uma rede pensamentos que questionam as verdades universais do homem, tornando todo conhecimento subjetivo.

Assim, o ato de relativizar tudo ao redor, leva em consideração as questões cognitivas (relativas ao processo mental de percepção e memória), morais e culturais do meio onde se vive.

Características da relativização:

– Desconstrução das verdades pré-determinadas por uma geração, cultura ou sociedade;

– Busca por um ponto de vista diferente daquele já imposto;

– Acreditar que existem outras verdades a serem descobertas;

– Não acredita necessariamente em um certo ou errado, por isso, a base desse pensamento é o de não julgar;

Tipos de relativismo

Relativismo Sofista: é uma linha de pensamento da filosofia grega, que acredita na subjetividade da verdade, na experimentação dos conceitos de moralidade e conhecimento.

Relativismo Moral: foi criado a partir do relativismo sofista, tomando como base também a moralidade, ideia de bem ou mal, no que foi socialmente imposto e aceito. 

Relativismo Religioso: ultrapassa o conceito de relativismo moral, do bem e do mal; está diretamente ligado à religião, coloca a palavra de Deus como uma verdade única.  

Relativismo Cultural: é um conjunto hábitos, crenças, valores e culturas de um grupo que influenciam o ambiente ao seu redor, considerando várias verdades e não somente uma.

Origem do etnocentrismo e relativismo

No século XIX, o capitalismo europeu começava a imperar na África e na Ásia remetendo a um choque cultural real, e no pensamento dos colonizadores europeus de que eram superiores àquelas culturas.

Naquele contexto, os europeus se consideravam maiores devido a um padrão de civilização patriarcal, capitalista e de perfil branco. Assim, o etnocentrismo foi a base para essa cultura europeia tentar se impor acima das outras.

Nesse mesmo período do século XIX, surgiu-se uma ciência chamada Antropologia, que tem como objetivo observar a cultura e os costumes de um povo sem, portanto, inferiorizá-los ou priorizá-los

Peculiaridades entre o relativismo e o etnocentrismo

O relativismo é o oposto do etnocentrismo porque, o primeiro tem como base o questionamento de tudo sem julgar, procurando entender todas as origens do conhecimento.

O segundo termo prefere exaltar as suas próprias culturas, crenças, pensamentos e ações, em detrimento das demais na sociedade, permitindo assim o agravamento do preconceito racial e cultural.

Como ainda se manifesta o etnocentrismo e relativismo nos dias de hoje

Infelizmente, os conceitos de superioridade ou inferioridade cultural não acabaram. Ao aparecer algo novo, diferente, seja no âmbito cultural, étnico ou de opiniões, ainda há espaço para o julgamento, preconceito e diferenças sociais.

Uma cultura ainda quer se impor à outra, com o fim de se afirmar, tornar-se superior e imponente. Aquelas frases típicas como: ´´por que eles não se adequam´´, ´´essa cultura está atrasada´´ são provas de um etnocentrismo enraizado.

O relativismo por sua vez, prega por um respeito entre as diferentes culturas, prezando pelos costumes, valores sociais e na mistura de conhecimentos no mundo todo.

Apesar de parecerem antigos, esses dois termos são bem atuais em nossa sociedade. De um lado, estão aqueles que se sentem superiores devido a alguma característica manifesta, seja de recursos financeiros, culturais ou de escolaridade.

E de outro lado, estão os que se sentem desprovidos de todos esses recursos, que possuem uma cultura, pensamento ou recursos financeiros mais escassos. 

No Brasil, o etnocentrismo pode se manifestar também no preconceito com outras culturais instaladas no país, e até mesmo entre os Estados, diminuindo esses cidadãos ou comparando-os negativamente com os moradores locais.

O relativismo deve ser uma busca constante por todos os cidadãos. O respeito com a diferença, seja ela cultural ou racial, deve existir em todos os pilares da sociedade.

Desprezar ou menosprezar uma pessoa porque ela pensa diferente e vem de uma cultura distinta, não nos torna melhores.

O relativismo e o etnocentrismo no Enem 

No contexto do Enem por exemplo, essa é a ideia de abordar temas como esse.

Levar os participantes a pensarem sobre o assunto, raciocinar, questionar e agir positivamente diante da situação, fazendo-os enxergar que a diversidade não é algo ruim, faz parte de todas as culturas.

O preconceito enraizado no etnocentrismo vem sido difundido a anos, décadas e séculos, geralmente disfarçados de conceitos da sociedade. 

Ao ser identificado em nosso dia a dia por exemplo, o preconceito deve ser erradicado e rejeitado, nas pequenas ações, opiniões e comportamentos.

Pensar somente na localidade onde vivemos, na cultura de onde viemos e no que aprendemos até aqui, não nos torna mais sábios. 

No mundo todo, há milhares de pessoas oriundas de diferentes culturas, linguagens, costumes, pensamentos, vivências e experiências diversas.

O que fazer então? Basta que o relativismo seja implantado em nossa vivência social dia a dia, para então impactar nosso círculo social, familiar, profissional e posicional no nosso país.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui