Jamais tente burlar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que foi criado em 1998 com o intuito de avaliar os melhores alunos e escolas do país. Hoje, é a maior prova de caráter seletivo do Brasil, reunindo mais de 6 milhões de inscritos em 2018 segundo o Ministério da Educação (Mec).

A avaliação também é critério para possibilitar se o aluno pode participar de programas como o de financiamento estudantil (Fies) e o Universidade para todos (ProUni), feitos para ajudar quem tem interesse de estudar em uma universidade privada.

Por isso, infelizmente, muitas pessoas tentam, de vários jeitos, burlar o Enem para conseguir uma vaga em alguma universidade de uma forma mais fácil. Nos últimos anos, vários casos já foram registrados.

Em resposta a isso, os organizadores se preparam cada ano mais para evitar colas, vazamentos e outros tipos de trapaças. Neste artigo você verá casos onde burlar o Enem não deu certo, além das principais operações que já foram feitas. 

 

Vazamento de questões antes da prova

Um dos casos mais comuns em eventos como o Enem são as questões de vazamento de questões. Isso ocorre, pois algumas pessoas têm acesso a prova dia antes de ela acontecer. 

Isso pode acontecer por diversos fatores. Funcionários mal intencionados nas empresas que distribuem a prova, assim também como organizadores que vendem essas informações por muito dinheiro.

Um dos casos mais famosos ocorreu em 2011. Um professor de um colégio particular de Fortaleza chamado Colégio Christus. Foram vazadas, do banco de dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), uma semana antes da prova acontecer. 

Foram ao menos 11 perguntas exatamente iguais aos dos cadernos de questões do Enem que foram utilizadas em uma suposta prova preparatória. Além disso, o tema da redação também foi o mesmo, redes sociais.  

O professor foi julgado pelo caso, sendo absolvido em 2016, pois ainda não havia sido introduzido no Código Penal na época o crime de fraude em questão pública. Existia também a possibilidade de incluir crime de estelionato. Mas, isso não ocorreu, pois segundo a defesa, o ato não teve caráter de vantagem material.

Em 2014, no Piauí, estudantes enviaram fotos de questões da prova através do Whatsapp horas antes do início da mesma. A Polícia Federal (PF) confirmou o caso, porém ninguém chegou a ser autuado. 

Pontos Eletrônicos

Outra forma que as pessoas encontraram para tentar burlar o Enem foi através de pontos eletrônicos. Isso porque o ponto eletrônico é um produto fácil de se acessar e um pouco complicado de se detectar.

É possível encontrar um por R$160 na internet sem muito esforço. Isso porque não é um aparelho considerado ilegal, muitos apresentadores de tv utilizam esse recurso em seus programas para comunicação.

Basicamente é um pequeno aparelho que se introduz no ouvido e que recebe mensagens via rede de celular ou wi-fi. Sua grande vantagem é que ninguém em volta consegue escutar a mensagem, somente o usuário. 

Mas, utilizá-lo em uma prova para tirar proveito da situação é sim crime. E uma quadrilha já fez isso na Paraíba e no Ceará. Eles enviavam os gabarito através deste aparelho para os alunos poderem responder sem dificuldades. 

A PF, depois de denúncias e investigações, chegou até as casas dos membros dessa quadrilha, tendo acesso ao seus celulares e computadores. Nestes aparelhos estavam registrados as provas desse crime. 

Foi levantado que cerca de 40 alunos na região do nordeste passaram para universidades se utilizando deste esquema. Todos tiveram suas classificações retiradas devido ao esquema. A quadrilha chegava a cobrar R$30mil por pessoa para ajudar no gabarito. 

Outro caso de ponto eletrônico ocorreu em 2016 no interior de Minas Gerais. A quadrilha operava da seguinte forma, segundo a PF: eram enviados professores ou alunos com bastante experiência para realizar as provas.

Esses eram chamados de pilotos. Devido sua sabedoria, eles terminavam a prova bem rapidamente e, após saírem do local, repassavam as questões para quem estava no ponto eletrônico.

Esse por sua vez retransmite as informações para os alunos que estavam com ponto eletrônico aguardando. Esse caso foi mais voltado para estudantes de medicina e que queriam passar no Enem. 

Em Guarujá foram presas pela Polícia Civíl 11 pessoas e 22 candidatos pelo mesmo motivo. A quadrilha, nesse caso, chegava a cobrar até R$200 mil. O valor dependia de qual o curso de interesse. O procedimento da quadrilha era exatamente o mesmo da de Minas Gerais. 

Esses pontos eletrônicos foram criados no período da Guerra Fria. Ele era utilizado como um aparelho de espionagem. E eles evoluíram muito durante esses período. Ao mesmo tempo, aparelho de contraespionagem também cresceram, visando combatê-los. 

Prevenção

Com isso, o MEC acabou implantando algumas medidas para tentar inibir o uso de pontos eletrônicos dentro das salas na hora das provas. Foram implantados a partir de 2017 aparelhos de contrainteligência. 

Eles servem como detectores de sinais wi-fi que podem estar sendo produzidos para o uso do ponto eletrônico. Esses aparelhos detectam até mesmo sinais mais fracos, pois são especializados nisso.

O aparelho tem o nome de Andre e foi fabricado pela empresa brasileira Berkara. Ela é especializada em equipamentos de alta tecnologia voltados para segurança. Ele é um aparelho portátil que possui uma antena. 

Se algum celular estiver conectado por sinal bluetooth, por exemplo, o Andre detecta isso, alterando levemente seus gráficos que aparecem na tela. Além disso, a antena do aparelho pode ficar em alguma parte do corpo do operador.

Assim, ele pode fazer uma abordagem mais discreta, não chamando a atenção de algum possível fraudador do Enem no local. 

Há também detectores de metais nos locais da prova. Porém, esses, podem não ser tão eficazes como os outros aparelhos. Isso porque um ponto eletrônico pode ficar em um óculos, relógio ou em qualquer outro lugar. 

É feito um treinamento mais elaborado pelos fiscais. Isso porque, a própria pessoa pode aparentar fraude. Sinais de nervosismo e insegurança, inquietação e outros, pode ser um indício. 

 

Roubo

Um dos casos de maior repercussão ocorreu no ano de 2009. Foram roubados alguns cadernos de questões do Enem daquele ano. O fato ocorreu na gráfica onde eram impressas as provas.

Através de uma câmera de segurança, foi possível notar que um dos funcionários dessa gráfica entregou o caderno de questões para um terceiro que estava no local naquele momento. 

O caso veio à tona após matéria do Estado de São Paulo, onde mostrava que teve acesso antecipado às avaliações por meio de uma pessoa que já tinha as respostas. Com isso, o MEC adiou a prova.

O que era para ter ocorrido no mês de outubro, foi remarcado para o mês de dezembro. Foi o único ano que aconteceu esse tipo de caso no Brasil. Naquela edição houve um índice de faltas de mais de 40%, algo histórico. 

 

Uso indevido de celulares

Sem dúvidas o caso mais comum de tentativa de fraude no Enem. Usar o celular durante a prova sempre foi algo que desclassifica o candidato. Porém, muitas pessoas preferem correr o risco. 

Só em 2015, 740 candidatos em todo o Brasil foram eliminados por uso indevido de aparelhos durante a realização da prova. O caso mais interessante ocorreu no Rio Grande do Norte.

Nesse caso, um técnico administrativo de 28 anos foi preso por portar aparelho eletrônico durante a prova. Os fiscais desconfiaram dele quando o mesmo retornou do banheiro. Seu comportamento deu claros indícios de fraude.

Ele estava usando um celular sem capa em seu tênis. Dele, subia um fio que iria até o pescoço, e dava uma volta nele. 

O fato foi descoberto após uma checagem no detector de metais, após o mesmo voltar do banheiro. Após pagar fiança, o mesmo foi solto no dia seguinte, respondendo o seu processo em liberdade. 

Já tiveram casos também de imagens postadas em redes sociais das provas, o que é, obviamente, irregular. É por isso que o MEC possui monitoramento de redes sociais durante as provas desde 2012. 

Coleta digital e outros recursos

A fim de diminuir ainda mais as chances de quem tenta burlar o Enem, o MEC criou em 2016 um sistema de biometria para que os candidatos possam se cadastrar previamente. É algo semelhante ao sistema eleitoral.

Isso faz parte do sistema de segurança do exame, que também possui outras medidas que já são feitas desde anos anteriores. Essa identificação ajuda no caso de fraudes de participantes.

Isso porque também já foi comum candidatos não irem ao exame, levando outras pessoas no lugar. E isso é obviamente ilegal. Porém, era difícil de se detectar isso, pois muitas pessoas apresentavam RG falsos. 

Com a biometria esse esquema de fraude caiu por terra. Isso porque não tem como uma pessoa ter uma biometria falsa. Assim o candidato tem que ir a prova se quiser ter alguma chance de cursar o ensino superior. 

Como outras medidas de segurança, o Enem tem, os já citados, detectores de metais nas portas das salas e nos banheiros, embalagens para que se possa guardar objetos diversos, como celulares, carteiras e chaves. 

Um intervalo de 30 minutos que são entre o momento dos portões fecharem até o início do exame e a abertura dos malotes das provas na presença dos candidatos. Isso tudo foi feito durante anos de exame, com base nas experiências e necessidades. 

 

Fraudar o Enem é crime

O candidato que for pego tentando fraudar o Enem, seja das formas que listamos ou outras, será autuado e preso. Isso porque essa tentativa de fraude pode se caracterizar como crime de fraude a concursos públicos. A lei é a 12.850. 

A pena pode chegar de 10 a 12 anos de prisão. Isso ocorre pois, no entendimento dos juízes, quem compra uma vaga é tão criminoso quanto quem vende. 

Os casos mais comuns  em concursos públicos são de pessoas comprando vagas pagando um valor de dez vezes o que ganharia no salário. 

Curiosamente, essa ei é a mesma aplacada na Lava-Jato. Isso porque, ambas tem como caráter, prevenir e penalizar quem se utiliza de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e outras coisas. 

Conclusão

 

É natural que, em uma prova tão importante para as pessoas, muitas delas se dispõem a fazer o que for para passar. Burlar o Enem é uma alternativa que, na teoria, parece ser muito fácil e prática.

Porém, é claro que o MEC junto com outros órgãos do governo, ficam bem atentos à esses tipos de candidatos. Seja por investigações ou medidas durante o exame. O fato é que, cada ano que passa, fica mais difícil burlar o Enem.

O Enem tem mais de 20 anos e teve uma grande evolução no passar deles. O que começou para ser uma exame de caráter apenas de avaliação da educação no país, passou a ser um grande vestibular. 

Milhares de pessoas já passaram pelo o Enem. E a tendência é que esse número cresça cada vez mais. É de responsabilidade do governo garantir que ele seja o mais isento e justo possível. 

Por isso, não vale a pena tentar burlar o Enem. É muito mais gratificante e correto estudar para ele. O preço que se paga tentando burlá-lo pode ser muito alto. Não só financeiramente falando.

Mas ser preso por causa disso pode acarretar no fim de muitas oportunidades no futuro. Além disso, você estará contribuindo para que o crime seja mais compensador do  que o trabalho duro e honesto. 

Acredite, muitas dessas tentativas são frustradas. Hoje em dia é muito difícil conseguir sequer entrar com seu celular escondido. O governo não mede esforços e gastos para inibir as fraudes em seu maior exame. 

Por fim, pense muito sobre como você vai se preparar para o Enem. Hoje em dia existem diversos artigos na internet com dias, além de videoaulas e cursos adicionais feitos para auxiliarem você. 

Acredite no seu potencial, não duvide do que é capaz e seja uma pessoa íntegra e honesta. Tudo isso será recompensado no final. Ter a sensação de dever cumprido e desafio cumprido é a melhor coisa que fará você ir bem na faculdade. 

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